
Contrariamente ao que vem sendo regra hoje vou postar um poema alheio, de Eugénio Montale, poeta Italiano. Para mim é o poema que melhor define o que é a poesia, seria um pecado não partilhar :)
A POESIA
I
A angustiante questão
se é a frio ou a quente a inspiração
não pertence à ciência térmica.
O raptus não produz, o vazio não conduz.
não há poesia no sorvete ou no espeto.
Tratar-se-á antes de palavras
muito importunas
que têm pressa de sair
do forno ou do congelador.
O facto não tem valor. Mal estejam fora
olham em volta e têm ar de dizer:
que estou aqui a fazer?
II
Com horror
a poesia recusa
as glosas dos escoliastas.
Mas não é certo que demasiado muda
se baste a si mesma
ou ao aderecista que tropeça nela
sem saber que é
o seu autor.
[tradução de João Manuel de Vasconcelos]
7 comentários:
Sem dúvida, um belo poema... mas, em relação ao tema, prefiro este de Carlos Drummond de Andrade:
POESIA
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Dark kiss.
P. S. Como é que a boneca entra dentro do casulo? :)
É... Poesia é interna...´Não tem que ser escrita... Mas sim sentida e vivida...
***MUAH***
Maravilhoso, não conhecia este autor...
Doce beijo
klatuu o embuçado:
pois... gostos serão sempre gostos ;)
quanto ao p.s há segredos que não devem/podem ser revelados :D
_baci_
lneves:
a poesia tem toda uma especificidade em torno dela que, a meu ver, quem escreve nem sempre entende quem lê nem sempre atinge... palavras que têm que sair... nem sempre por uma razão lógica... é por isso que gosto tanto deste poema :)
_baci_
o profeta:
um grande grande beijo para ti meu doce ;)
Queres saber onde é? Huum! Não sei não... :)
Bora lá beber um café?
;)
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