
janela aberta ao fundo do quarto.
corredor de memórias indecifráveis.
equívocos, mistérios, susurros.
chuva como banda sonora e vento a moderar a temperatura ambiente.
Lembra a menina na rua que indiferente à chuva escolhe percorrer o caminho ziguezagueado e azul escuro da calçada do passeio, enquanto os pais zangados chamam por ela mais à frente,
Lembra que outrora fora ela a menina que fugia de casa para dançar à chuva...
Escuridão rasgada por linhas de luz.
frio
frio
nada mais que frio.
sem som, sem cheiro, alheia ao que a rodeia.
Voam, da vida fora da janela, sons
[que ela não ouve]
invadem o quarto e preenchem-no
ela permanece
vazia.
há quem a olhe,
há quem a beije,
há quem lhe fale,
há quem lhe dê,
há quem lhe tire,
há quem a ame,
há quem lhe tenha ódio,
há quem a magoe,
há quem a escute,
há quem a cale,
há quem com ela cruze...
Vê-la-ão por entre tanto que a rodeia?
[ela não vê]
Aninhada no canto direito oposto à janela respira notas de vida que se escapam por entre o vento, de olhos fechados imagina como será o azul, como será o sorriso de quem voa por entre braços de conforto, de quem não rasga sons e segue sem olhar para trás...
[ela não é]
2 comentários:
Já tinha saudades. Soube-me a borboletas e algodão doce ^^
hiiiiiiiiiiiiirrrra.
Tens de deixar de tomar isso que tu tomas que te deve andar a fazer mal!!!
Poético com pitadas de loucura... indecifrável.
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